Não se toca outra vez: nem com a mão que roça
a pele que já não é a mesma,
nem o intrumento vibra um ar que se repita.
A literal certeza de uma asserção assim
faz que seja novo cada passo na relva,
cada pardal, ou beijo.
Mas há outro sentido, Sam, velho Sam,
em que não podes outra vez tocar:
é que o tempo deveras se escoou
e foi pra não sei onde, onde não há.
Piano podes ter, ouvidos e memória:
só te falta outra vez.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
#21 Fernando Pinto do Amaral
«AS TIME GOES BY»
Fizera uma promessa: ir ao encontro
de uma estranha miragem, mal sabia
porquê -- pedia apenas
«qualcosa da bere». Seria ridículo
ensinar truques ao destino, ouvir
a fala de um só deus. Ficava ali
sob o antigo temor
da beleza,
sob o poder da noite. Ousadias, receios,
tudo parecia igual.
Luminosos golfinhos sorriam,
enfeitavam o cais, esse caos
reflectido nos seus olhos. Sim,
talvez fosse esse rosto a construir
o decorrer do tempo, um sentimento
em música de fundo -- esplanadas
ao longo de palmeiras, a caminho
da maior solidão. Em San Remo
há mais de «cinco esquinas» e o Frágil
desaparecera noutro mar, submerso
em «prazer e glória» -- «a fight for love
and glory». A Agustina
tem deveras razão, é necessário
o sofrimento. Ainda bem
que as promessas não são para cumprir
e há uma porta aberta sobre a água.
Fizera uma promessa: ir ao encontro
de uma estranha miragem, mal sabia
porquê -- pedia apenas
«qualcosa da bere». Seria ridículo
ensinar truques ao destino, ouvir
a fala de um só deus. Ficava ali
sob o antigo temor
da beleza,
sob o poder da noite. Ousadias, receios,
tudo parecia igual.
Luminosos golfinhos sorriam,
enfeitavam o cais, esse caos
reflectido nos seus olhos. Sim,
talvez fosse esse rosto a construir
o decorrer do tempo, um sentimento
em música de fundo -- esplanadas
ao longo de palmeiras, a caminho
da maior solidão. Em San Remo
há mais de «cinco esquinas» e o Frágil
desaparecera noutro mar, submerso
em «prazer e glória» -- «a fight for love
and glory». A Agustina
tem deveras razão, é necessário
o sofrimento. Ainda bem
que as promessas não são para cumprir
e há uma porta aberta sobre a água.
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